Esse tal de Rock’n Roll?

Contracultura, subversão, atitude ou estética, melodia, espetáculo?  O que você entende por pureza do “Rock and Roll”?

Estas e outras perguntas foram levantadas, na semana passada, no 2º Minicurso Criminologia e Rock and Roll, da Faculdade de Direito da UFRGS.

Foi bonito ver um público de mais de 100 pessoas, em um ambiente formal que só uma faculdade de direito pode proporcionar, discutindo a relação Sagrado X Profano como as bases do movimento cultural e musical mais querido do (meu) mundo.

Assisti apenas a primeira palestra no dia 12/08, comandada pelo criminologista e doutorando em Filosofia Moysés da Fontoura Pinto Neto. Ele apresentou uma cronologia do Rock que deixa bem clara as mudanças que ocorreram na ideologia do movimento.

Os exemplos foram mostrados através de clipes que deixam bem claro o caminho pelo qual passou o estilo desde os anos 60.

Anos 60/70: Profano, contestatório, maldito (no bom sentido)

Com letras que contrariavam a lógica social da época, bandas como Black Sabbath, AC/DC e Rolling Stones abriram os olhos, corações e mentes de muitos para a uma maneira diferente de ver o mundo. O “bom comportamento”,  sagrado pela ordem e os bons costumes,  foi revisto pela tríade clássica “Drogas, Sexo e Rock’n’Roll”. Com tudo isso veio também as radicais mudanças na política, que  nós bem conhecemos pelas histórias dos anos de chumbo.

Anos 80: Espetáculo, melodia, pop

Assistir esses dois vídeos, assim, na sequencia, mostra exatamente a diferença de uma época para outra. Os anos 80, economicamente chamados de “a década perdida“, podem representar um esvaziamento no sentido de profanação dos anos 60/70. Claro, a música é divertida e tudo mais, mas é fácil notar que ela está muito mais para entretenimento do que para um possível vetor de transformação social. OK, talvez não fosse o “objetivo” da geração. Mas será que poderia ter sido?

Anos 90: Profanar o improfanável

Bandas como Nirvana e Pearl Jam, tentaram dar um novo sentido para o rock and roll, com letras e performances que geravam, no mínimo, um estranhamento. Uma fase tomada pelos riffs pesados, quebradeiras de guitarras e camisas xadres.

Kurt Cobain, como lembrou Moysés, bem que tentou fugir da exposição e dos flashs. Mas, sua indiferença proposital só despertava ainda mais a curiosidade da grande mídia.

Anos 2000: A estética pela estética

Britney Spears. Sim, ela mesma. O que restou da atitude nesta regravação do clássico do The Arrows? Bem, não é preciso dizer que há uma tentativa bem feitinha de mostrar a estética que permeia o rock’n roll. Mas, definitivamente,  não há como retirar o verniz pop-comercial…

Mas, há esperança?

Bem, eu saí com a impressão de que sim. Esse papinho de “não temos mais contra quem lutar” não me convence mais. Com certeza temos vários problemas existenciais (falo pela minha geração), mas acredito que a mudança que precisamos promover está dentro de cada um de nós. Revoltar-se contra o “sistema” não parece mais o mote do rock’n roll que temos que pensar para o futuro.

Sou mais os caras do Sigur Rós. A banda Islandesa faz um post-rock cheio de atitude. Esse clipe abaixo é com certeza um “tapa na cara” da sociedade contemporânea.

Acredito nisso: que temos que mostrar as contradições e lutar para continuar aquilo que os “pais” do rock’n roll começaram.

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Eu

Ana Migowski, arquiteta de informação, mestranda do PPG em Comunicação e Informação (UFRGS), graduada em Comunicação Digital (Unisinos) e estudante do Bacharelado em Ciências Sociais (UFRGS). Apaixonada por antropologia, cinema, teatro, tecnologia e afins. Uma geek com um Q de bicho grilo. :)

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